Existe fetiche por pessoas não-binárias?


Aviso de conteúdo: Descrições de atos sexuais, menções a tipos de abuso cissexista e heterossexista em relacionamentos. Este texto é bem mais sexualmente explícito do que os outros publicados neste blog, e irá elaborar bastante acerca de fetiches não éticos e objetificação de pessoas trans. Não é um texto que foi feito para ser pornográfico, mas entendo se pessoas desconfortáveis com descrições de sexo, abuso ou fetiches envolvendo opressões não quiserem ler para além da primeira seção.

Os argumentos antiembináricos


Em muitas das instâncias onde foram propostos/discutidos termos de atração voltados a atração por pessoas não-binárias (de forma que não se resume a "atração sem que o gênero importe"), e, especialmente, termos específicos ou abertos a homens e/ou mulheres com atração por identidades não-binárias, há a reação de invalidar tais possibilidades. Os motivos para isto tendem a ser:

  1. Como vivemos em uma sociedade exorsexista, ninguém é capaz de sentir atração específica por alguém sem categorizar a pessoa como homem ou mulher. (Mentira: Oltiel, que é torensexual, tem textos bastante explicativos sobre o assunto, que incluem ao menos Atração por pessoas não-binárias: perspectivas e possibilidades para além do binário e Sim, minha sexualidade mudou.)
  2. Termos para orientações que não são imediatamente reconhecidos por uma pessoa leiga e sem vontade de ir pesquisar são inúteis. (Não. Se alguém se recusa a usar um termo por "não ser conhecido" ou "conhecer muita gente que experiencia isso sem se rotular", isso é uma questão pessoal que não invalida a existência de uma palavra para descrever o fenômeno.)
  3. Só pessoas que enxergam corpos cisdissidentes como fetiches se prestariam a reivindicar atração por pessoas não-binárias. Dentro disto, há as pessoas que acreditam que nem pessoas não-binárias conseguem sentir "atração verdadeira" por não-binaridade e estão apenas fetichizando outras pessoas não-binárias, e as pessoas que acreditam que só pessoas não-binárias (e, talvez, pessoas trans em geral) são capazes de compreender a não-binaridade de forma profunda o suficiente para serem capazes de sentir atração primária ou exclusiva por pessoas não-binárias.

Este último argumento tem alguma base na realidade: a fetichização de pessoas trans. As instâncias mais antigas dele talvez sejam as problematizações do termo skolio/cétero, especialmente em relação a pessoas cis adotando o termo. A questão seria uma presunção de que pessoas cis só conseguiriam pensar em uma pessoa como não-binária em termos de expressão de gênero ou corpo, que é o que pessoas que não desconstruiram o próprio cissexismo tendem a fazer, mesmo que a não-binaridade seja completamente diversa tanto em termos de identidade de gênero quanto de corporalidade.

Eu nunca vi nenhum relato de uma pessoa não-binária ser tratada como alguém com uma obrigação de ser neutra/andrógina/etc. para fins de ser atraente para ume fetichista. Porém, o termo não-binárie só passou a ser reivindicado a partir de 2010, e há um histórico longo de mulheres e homens trans serem fetichizades por terem expressões de gênero e/ou características de transição corporal que pessoas cissexistas consideram "contrárias" às suas genitálias e/ou outras características sexuais.

Eu argumentaria que, há 10-15 anos atrás, a presunção de que chasers (pessoas cis com mentalidade cissexista que vão atrás de relacionamentos com pessoas trans por uma presunção de como seus corpos são) eventualmente se disfarçariam de pessoas simplesmente atraídas por não-binaridade seria razoável. Porém, estamos em 2026: a não-binaridade já tem uma visibilidade muito maior, tanto na política quanto na mídia. Termos como xenogênero, homem não-binárie, transfeminine, demigênero, aporagênero e gênero-vácuo já possuem mais de uma década de uso, e portanto também já há vários relatos pessoais de como pessoas chegaram na conclusão de pertencer a tais identidades. E eu ainda não achei as tais pessoas que se dizem atraídas por gêneros não-binários para disfarçar perspectivas cissexistas.

Mas o que foi que eu achei, então?

Pessoas em relacionamentos méstricos sem atração por não-binaridade


Vejo muito mais relatos de pessoas querendo saber o que fazer em seus relacionamentos envolvendo uma pessoa binária gay/lésbica/hétero e uma pessoa não-binária do que pessoas binárias reivindicando a capacidade de sentir atração por pessoas não-binárias de forma geral.

Tais situações aparecem em diferentes formatos, como, por exemplo:

  • Duas pessoas estão num relacionamento faz tempo. Uma das pessoas se descobre não-binária e a outra não se via como atraída por múltiplos gêneros. Uma das pessoas no relacionamento pede ajuda com a situação. Discussões incluem: a pessoa binária é obrigada a usar outro termo para sua orientação para manter o relacionamento? A pessoa não-binária deveria aceitar um relacionamento com alguém que só se diz atraída por um gênero que não lhe contempla?
  • Uma pessoa binária sai com uma pessoa não-binária que não passou por processos de transição física, e, para manter o interesse da pessoa não-binária, passa a dizer que sente atração por múltiplos gêneros. Porém, a pessoa binária ainda só demonstra atração por pessoas cis de um gênero binário e por aquela pessoa não-binária, ou, ocasionalmente, por outras pessoas não-binárias com o mesmo tipo de aparência. Muitas vezes, após o relacionamento com a pessoa não-binária não dar certo, a pessoa binária volta a dizer que só sente atração por homens ou por mulheres.
  • Uma pessoa não-binária que não é aberta sobre ser não-binária para outras pessoas começa a ser alvo do interesse de uma pessoa que disse só ser atraída por homens ou por mulheres. A discussão tende a ser em torno de qual estágio do relacionamento a pessoa não-binária deve se abrir sobre isso, e o quão provável é que a pessoa perca atração quando a pessoa se abrir.
  • Uma pessoa não-binária esteve em um relacionamento com uma pessoa binária por um longo tempo. A pessoa binária passou a se dizer bissexual (há outras possibilidades, mas em geral o pessoal escolhe a orientação bissexual por ser mais comum) para se adequar ao fato de sentir atração pela pessoa não-binária, mas não demonstrou atração por outras pessoas não-binárias ou tanto por homens quanto por mulheres. A pessoa não-binária quer transicionar, seja fisicamente, seja legalmente, seja de outra forma, mas a pessoa binária diz que não será mais capaz de sentir atração pela pessoa não-binária caso faça isso, e que terminaria o relacionamento se isso acontecesse.
  • Uma pessoa não-binária que é parcialmente homem e/ou mulher questiona se entra na atração de uma pessoa que só diz sentir atração por um dos gêneros binários. Esta situação pode ser somada a qualquer uma das situações acima. Discussões muitas vezes vão para um lado de "se você é mulher/homem, você entra na atração por tal gênero e ponto", mas, ao meu ver, o conforto com isso vai depender muito de pessoa para pessoa.

Alternativamente, mesmo sem haver relação com pessoas atraídas somente por um gênero, há a situação de pessoas não-binárias se juntarem a grupos bissexuais ou pansexuais para achar pessoas com a mesma experiência que elas e que podem sentir atração por elas só para se depararem com pessoas cissexistas que só afirmam ser possível atração por mulheres e por homens. (Pois é, há pessoas pansexuais que acham que sua atração só cobre "mulheres cis, mulheres trans, homens cis e homens trans", como se fossem gêneros diferentes.)

Todas estas histórias têm algo em comum, a priorização da atração por gêneros binários. Em geral, pessoas cissexistas só admitem "atração por pessoas não-binárias" para apaziguar sues parceires, ou nem isso.

Não me entendam mal: como já expliquei lá em cima, é possível ter atração por identidades não-binárias. E também acho possível que, desde que alguém conheça e entenda pessoas não-binárias como não-binárias - e não apenas como "mulheres ou homens com rótulos diferentes" - é possível alguém identificar atração por algumas ou mesmo todas as identidades não-binárias, mesmo que a pessoa não seja não-binária. Dito isso, é muito mais comum que pessoas capazes de atração por pessoas não-binárias pensem em si mesmas como atraídas por todos os gêneros ou como atraídas por todos os gêneros menos homens ou mulheres, e não como pessoas que especificamente sentem atração por identidades não-binárias.

É até possível que pessoas não-binárias sejam as únicas com coragem de dizer que sentem atração por identidades não-binárias específicas porque as pessoas de fora desta comunidade são desencorajadas de fazer isso, como mencionei no início do texto. Pessoas não-binárias já usam "termos esquisitos" por serem não-binárias, e a quantidade de pessoas que vai acusar uma pessoa não-binária de fetichizar a própria comunidade vai ser menor em comparação com alguém de fora da comunidade demonstrando tal atração, então a barreira é bem mais permeável para alguém não-binárie. Especialmente se a pessoa não-binária colocar seus desejos de relacionamentos com pessoas não-binárias como "um desejo puro" de ter um relacionamento com alguém que entenda a sua experiência, e não como a capacidade de achar sexy alguém do mesmo gênero que ela ou que tem outra identidade não-binária.

Para quem não sabe: eu sou assexual, e sei que muitas outras pessoas não-binárias estão no espectro assexual. Minha intenção não é colocar relacionamentos românticos (ou outros relacionados com laços emocionais) como menos relevantes ou "menos desconstruídos" do que relacionamentos sexuais. Acho que faz todo sentido que pessoas não-binárias busquem outras pessoas não-binárias para terem menos trabalho desconstruindo o exorsexismo de sues parceires, e não acho que ninguém é obrigade a demonstrar desejo sexual por alguém para que sua atração seja considerada legítima. Porém, acho relevante apontar o quanto pessoas de quaisquer gêneros podem fantasiar livremente sobre atos sexuais com mulheres e homens (trans ou cis), enquanto o desejo por pessoas não-binárias precisa ser uma extensão da atração por mulheres ou homens e/ou algo que precisa ser justificado por conta do sistema cissexista vigente.

Chasers embináriques?


Ok, pessoas cis que não estão indo atrás de relacionamentos com pessoas cisdissidentes não tendem a demonstrar atração por identidades não-binárias. Mas e as pessoas que objetificam corpos cisdissidentes; que estão indo especificamente atrás de quem é trans por não considerarem mulheres trans como mulheres ou homens trans como homens? Estas pessoas não se beneficiariam de ir atrás de alguém não-binárie por sua identidade fora do binário?

Pois então... até hoje, todos os relatos que vi de "atração por trans" eram de pessoas que (ao menos naquele momento se diziam) homens cis e hétero tão comprometidos com o heterossexismo que presumiam que "atração por trans" já seria, por padrão, apenas por mulheres trans/pessoas transfemininas. O desejo era puramente por aquele tipo de corpo idealizado nesse tipo de fetiche: uma mulher ou pessoa que se veste/comporta de forma feminina com pênis funcional.

Obviamente existem chasers que têm mais vergonha na cara do que o pessoal que chega relatando esse tipo de desejo em espaços trans. Há relatos de mulheres cis hétero indo atrás de homens trans porque "buscam um homem que entenda como é ser mulher", há relatos de homens cis gays indo atrás de homens trans para "experimentar buceta", há relatos de homens cis conservadores querendo coagir pessoas trans com útero e vagina a se "tornarem suas esposas" após engravidar tais pessoas.

No fim das contas, acredito que muites chasers possam se contentar com certos tipos de pessoas não-binárias. Afinal, suas objetificações dependem muito mais do corpo e da expressão de gênero do que de alguém sendo agênero e transmasculine ou homem trans, por exemplo. Ou seja, eu não percebo nenhuma preferência específica por pessoas não-binárias. Não que não possam existir, mas eu nunca tive contato com esse tipo de história.

Pessoas não-binárias em pornografia (incluindo textos eróticos)


A princípio, esta seria uma outra forma de encontrar atração e/ou fetiche por pessoas não-binárias. A prevalência de mulheres trans em pornografia é amplamente discutida, e também já me deparei com uma certa quantidade de textos ou vídeos erotizando homens trans. Nesta seção, eu não estou considerando somente vídeos no Pornhub ou Redgifs: eu também estou pensando sobre personagens não-bináries em histórias explícitas no AO3 ou Read Only Mind, em comunidades fetichistas no Tumblr e em HQs eróticas.

O mundo da pornografia na internet e fora dela é extremamente amplo, e, portanto, eu não tenho como afirmar que não existe determinado tipo de pornografia. Porém, até onde eu consegui chegar, a representação não-binária tende a ser de um entre tais tipos:

  • Sociedades onde há alguma variação de mulher ou homem considerada sexualmente distinta do grupo cisnormativo de mulheres ou homens. Eu não contaria isso como representação não-binária em questão de atração por não-binaridade, porque tais grupos tendem a ser versões "mais atraentes" ou "menos atraentes" de mulheres ou homens por conta de genitália, espécie, raça e/ou expressão de gênero, com tal pornografia dando a impressão de ser direcionada a pessoas atraídas e/ou enojadas por determinados grupos de mulheres ou homens. Eu só acho interessante como há muita pornografia onde é normalizada a ideia de existirem mais de dois gêneros, ainda que estes sejam definidos de formas cissexistas (ocasionalmente racistas também) e sem que não-binaridade seja mencionada;
  • Pessoas usando tags de "relacionamentos envolvendo personagens não-bináries" para classificar sexo com alienígenas sem sexo especificado, máquinas com inteligência artificial, plantas conscientes ou outros seres não humanos. Não é algo que eu tinha parado para pensar como representação não-binária, mas se duas mulheres usando um dildo duplo ainda conta somente como sexo entre mulheres, com certeza uma mulher sendo penetrada por tentáculos de ume alienígena que não fala ou é referide como homem poderia contar como sexo que não envolve duas pessoas binárias, ainda que eu não acredite que teratofilia (ou afins) necessariamente se traduza para atração ou fetiche por pessoas não-binárias reais;
  • Interações entre blogs fetichistas onde na verdade o que conta é alguém não fazer parte da "categoria correta". Por exemplo, blogs de supremacia transfeminina onde outros tipos de pessoas existem mas são caracterizados como inferiores, ou blogs de supremacia cis hétero onde qualquer pessoa trans supostamente "será convertida em cis para cumprir sua função biológica". Estes blogs podem mencionar pessoas não-binárias e/ou que optam por referidas com conjuntos de linguagem não normativos, mas pessoas não-binárias não tendem a ser o foco principal ou único desses fetiches;
  • Histórias que terminam em uma pessoa não-binária estereotipada (com cabelo curto e colorido, vagina e útero e que sente atração por mulheres) sendo convencida de que se submeter a um homem lhe dará mais prazer, que no final parecem ser mais um subtipo de ficção erótica onde homens conservadores são sexy e conseguem o que querem, humilhando e "convertendo" mulheres cis feministas no caminho, do que algo pensado especificamente acerca de um fetiche por pessoas não-binárias (até porque es mesmes autóries tendem a publicar muito mais histórias focadas em homens oprimindo mulheres);
  • Textos eróticos geralmente curtos onde há, por acaso, uma pessoa não-binária. A não-binaridade não tende a ser o foco (ao contrário de histórias de "feminilização" ou de humilhação baseada em orientação, por exemplo), com tais histórias apenas representando um casal onde uma das pessoas é não-binária, uma pessoa não-binária sendo hipnotizada por um programa, ou qualquer outra coisa que também existe em pornografia voltada para pessoas duáricas, sáficas ou aquileanas. As pessoas não-binárias destas histórias não necessariamente possuem um certo tipo de corpo específico e geralmente são humanas, então esta é a categoria que parece representar melhor a existência não-binária.

Minha impressão final é que as histórias que podem ser interpretadas como "fetichização da não-binaridade" na verdade não colocam a não-binaridade como especificamente desejável, e sim como uma conclusão lógica sobre como poderiam ser classificados certos grupos de seres (que poderiam ser facilmente idealizados como binários) ou como um subtipo de pessoa trans/inconformista de gênero que "deve ser corrigida" e portanto é tratada como binária. Ou seja, a fetichização só funciona porque é possível idealizar quem é/poderia ser não-binárie como mulher ou homem.

Fora isso, sobram as histórias onde a não-binaridade se resume praticamente a uma troca de tratamento gramatical, onde eu não acho que o argumento da fetichização funciona.

Consigo pensar em um exemplo notável onde há um esforço maior para retratar seres que não são 100% mulheres ou 100% homens sem que elus sejam reduzides a "mulher/homem com característica tal": histórias com Chakats, uma espécie inventada no contexto de pornografia furry e a origem dos pronomes shi/hir. Chakats são altersexo, embora a palavra não existisse em 1995: possuem pênis, vagina e seios, e há momentos que mencionam questões como discriminação ou não serem completamente homens ou mulheres. É possível considerar Chakats como uma fetichização de mulheres trans e/ou intersexo, porque minha impressão após ler um pouco das histórias é que, em geral, linguagem e papéis associades com mulheridade/feminilidade são utilizadas, com pênis e a possibilidade de fertilização sendo as únicas características que, dentro de tal universo, justificam uma caracterização "parcialmente masculina", mas o fato de haverem tratamentos gramaticais diferentes me faz encarar Chakats ao menos como um esforço em sair do binário de gênero. Desta página de introdução:

Por conta dos títulos Sr., Sr(t)a., etc. serem inapropriados, Chakats geralmente são chamades pelo nome de sua espécie seguido de seu nome pessoal. Chakats conseguem um nome após nascerem que reflete suas características, físicas ou de personalidade, que pode mudar em qualquer ponto até chegarem na vida adulta. Daí podem escolher ficar com o nome que estão ou escolher um nome adulto novo, mas daquele ponto em diante, o nome é permanente.


Com certeza há bastante linguagem problemática nas histórias, desde o uso constante de palavras estigmatizadas contra pessoas intersexo até o uso de feminilidade/masculinidade para descrever partes do corpo. Agora, eu não sei se eu contaria isso como uma prova de que há chasers especificamente atrás de pessoas não-binárias: é um site furry provavelmente não muito conhecido fora desse meio sobre uma espécie quadrúpede que só tem um sexo. Eu colocaria Chakats como uma evidência de que é possível achar fluidez/mistura entre gêneros binários (ou feminilidade e masculinidade) atraente mesmo sem a afirmação de que tais seres são basicamente mulheres ou basicamente homens, e só.

Não ter uma identidade fetichizada é um privilégio?


Eu imagino que haverão pessoas que pensarão no que eu disse acima como uma confirmação de que a não-binaridade oferece um privilégio de ausência de fetichização, em comparação com outras identidades dissidentes de gênero, sexo/corporalidade ou orientação. Porém, não é bem assim:

  1. Pessoas não-binárias, por não serem cis, também são sujeitadas a "curiosidades" e "tentativas de conversão" cis: a questão não é que pessoas não-binárias não passam por isso, e sim que, no contexto de fetichização, não percebo nossas identidades não-binárias sendo tratadas de forma diferente do inconformismo de gênero de alguém cis ou da mulheridade ou hombridade trans.
  2. A ausência de desejo por pessoas não-binárias também é um problema. A mídia só tende a apresentar mulheres com traços apresentados como hiperfemininos e homens com traços apresentados como hipermasculinos como atraentes, o que diminui as opções de relacionamento de quem quer sair disso. Daí há a questão da não-binaridade não ser somente uma questão de aparência: ter um relacionamento com uma pessoa binária (especialmente se for cis, mas não necessariamente) pode significar ter o trabalho de ensinar o que é não-binaridade, falar que não é "só questão de gíria" parar de chamar uma pessoa não-binária de cara/mulher/etc. se ela se sente disfórica com isso, ensinar a pessoa (e/ou suas amizades) a usar um conjunto de linguagem que ela não consideraria "óbvio" para a pessoa não-binária ou para suas amizades não-binárias, discutir como disforia de gênero ou transição hormonal vai afetar os atos com os quais a pessoa não-binária se sente confortável e assim por diante.

A identidade não-binária tende a não ser atraente ou fetichizada, mas o apagamento não-binário é (em muitos casos). E isso também faz parte da opressão contra pessoas não-binárias.

Conclusão: atração por pessoas não-binárias provavelmente não é só um fetiche baseado em presunções equivocadas


A possibilidade de atração por pessoas não-binárias irá se desenvolver junto com a ideia de existência de pessoas não-binárias, especialmente levando em consideração suas diferentes identidades de gênero. Assim como pessoas se atraem por mulheres e/ou homens de forma exclusiva ou diferente por conta dos arquétipos que formam tais identidades, também é possível se atrair especificamente por pessoas aporagênero, caelgênero, gênero neutro ou assim por diante, mas a ausência de um padrão mental sobre como tais pessoas se parecem ou agem é, na minha opinião, o que prejudica a identificação de tais atrações por motivos que vão além dos políticos ("só quero namorar alguém com a mesma identidade que eu") ou da rejeição específica a outros gêneros ("só não sinto atração por mulheres").

Isso não significa que cada gênero possui ou deve possuir limites em relação a como podem parecer ou agir. Porém, há pessoas que gostariam de receber sexo oral de mulheres sem receber de homens, por exemplo: qual é a diferença aí? Questões como tamanho da boca, seios ou barba nem sempre serão relevantes, sendo outras subjetividades que fazem a diferença. É destas subjetividades que estou falando, e não de papéis de gênero.

Enfim, eu não acho que há evidências de que alguém desejando pessoas não-binárias provavelmente só dirá isso por motivos de estereótipos pornográficos. Nem pessoas não-binárias conseguem adotar termos que lhes contemplam direito, então tenho poucos motivos para acreditar que alguém deixará de se dizer hétero, gay ou lésbique para justificar ir atrás de pessoas não-binárias. Nem o pessoal atrás de mulheres ou homens trans porque acham que seus corpos vão representar "o melhor dos dois mundos" têm a inclinação de se dizer atraídas por não-binaridade, até porque só estão atrás de uma binaridade que consideram "tabu" e/ou "dois em um".

Para quem quer um termo para atração exclusiva por pessoas não-binárias sem a carga de cétero, há o prefixo eneba. Alguém que quer um termo mais específico a pessoas fora do binário de gênero equivalente a gay/lésbique pode se dizer ceneliane. Pesquisar por não-binári na lista de orientações do Orientando irá mostrar vários outros termos que podem ser úteis para demonstrar uma atração que inclui pessoas não-binárias, como galdeique e tríxen. Também há vários termos juvélicos para descrever atrações por não-binaridade de formas que não são necessariamente exclusivas.


Exorsexismo


Há alguns anos, eu criei este tópico para falar de exorsexismo, que na época era um conceito mais novo do que é hoje. Ainda considero um recurso bem completo, mas acho legal ter mais lugares falando de conceitos como este.

Exorsexismo é a opressão e discriminação contra pessoas que não são somente, completamente e sempre homens ou somente, completamente, e sempre mulheres. Ou seja, exorsexismo afeta:

  • Pessoas que não são nem homens e nem mulheres, seja por não ter gênero, seja por ter um ou mais gêneros diferentes destes;
  • Pessoas que são bigênero homem/mulher (ou ambigênero, ou gênero-fluido, ou similar que tenham estes gêneros);
  • Pessoas que são parcialmente homens ou mulheres, como homens-vagues, mulheres-cinza, demimeninos, quivermeninas, etc.;
  • Homens e mulheres não-bináries, agênero, sem gênero, etc.;
  • Pessoas transfemininas e transmasculinas não-binárias, ou que não se reinvindicam como mulheres e homens bináries;
  • Pessoas de gêneros indefinidos (como pessoas pomogênero);
  • Pessoas que consideram que certo fator externo é parte do seu gênero e que por isso seu gênero não é binário (isso inclui várias pessoas neurogênero, intergênero, gênero-orientação, egogênero, etc.);
  • Pessoas cujas identidades de gênero são ou eram aceitas dentro de sua sociedade, mas que diferem de homem e de mulher e que portanto são apagadas, demonizadas e afins em sociedades brancas eurocêntricas cristãs;
  • Travestis que não se consideram 100% homens ou 100% mulheres;
  • Qualquer outra pessoa que poderia se denominar não-binária caso quisesse.

Talvez também afete pessoas de sociedades aonde existem concepções diferentes de homem e de mulher em relação à sociedade branca eurocêntrica cristã, mas não sei sobre o assunto o suficiente para opinar, e só li um único texto sobre o assunto que também não trazia uma conclusão.

Enfim, tudo isso pode ser óbvio quando se diz que exorsexismo é a opressão contra pessoas não-binárias, mas existem grupos afetados por exorsexismo que não se consideram não-binários, assim como existem pessoas que não têm certeza se contam como não-binárias ou como afetadas por exorsexismo por serem homens e mulheres, ou parcialmente/quase homens, ou parcialmente/quase mulheres. Mas a sociedade exorsexista não inclui pessoas que às vezes são homens e às vezes são mulheres, ou que possuem algum gênero parecido com o binário mas que não é binário.

Exemplos de exorsexismo


Algumas pessoas acreditam que exorsexismo pode ser resumido como "apagamento não-binário". Além do problema de categorizar pessoas que não querem ser chamadas de não-binárias como não-binárias, exorsexismo vai além de apagamento.

Sim, um exemplo de exorsexismo é o apagamento. É o uso de "homens e mulheres" como se isso estivesse incluindo todo mundo. É a ausência de personagens não-bináries na ficção. É a insistência da mídia de só fazer algum único artigo quando alguma celebridade se abre como não-binária, e nunca mais mencionar o fato ou repensar o uso da linguagem usada para se referir a essa pessoa.

Mas também existem outros fatores.

Quando as possibilidades de gênero são alguma variação de "homem ou mulher", de "homem, mulher ou prefiro não dizer" ou de "homem, mulher e outro", isso não dá espaço para pessoas se afirmarem como suas próprias identidades de gênero se elas não são binárias.

Quando alguém é gênero-fluido mas não consegue a possibilidade de mudar seu gênero e/ou nome de tempos em tempos em registros de todos os tipos (ou de colocar que é gênero-fluido), isso é um limite que afeta pessoas gênero-fluido que não afeta outras pessoas.

Quando alguém diz que "só existe homem e mulher, o resto é transtorno mental", é um ataque a pessoas que não são homens ou mulheres, além de ser um ataque capacitista porque usa a existência de transtornos mentais como algo ruim que invalida experiências pessoais.

Quando só existem banheiros para homens e mulheres, pessoas que não são de um desses gêneros não estão sendo contempladas. Quando dizem que outras pessoas podem usar qualquer um desses banheiros, isso não considera o quanto de medo alguém pode ter de assustar mulheres ou de apanhar de homens, assim como não considera a disforia que alguém pode ter em entrar em um banheiro de uma identidade de gênero diferente da sua.

Quando símbolos para coisas que são para todas as pessoas são uma combinação de símbolos de homens e de mulheres, talvez isso seja apagamento, mas talvez seja uma exclusão proposital mesmo.

Quando há tantas coisas na sociedade que possuem medidas separadas para homens e para mulheres, isso também é algo que prejudica a aceitação e inclusão de pessoas que não são homens ou mulheres.

Quando pessoas que possuem identidades de gênero parecidas com mulher ou com homem precisam se reduzir a um gênero binário porque pessoas em volta não entendem/aceitam algo mais complexo, isso também é exorsexismo.

Quando pessoas só conseguem colocar em palavras como é seu gênero comparando com uma metáfora, porque ele não pode ser simplesmente descrito como homem, mulher, masculino, feminino, neutro, entre essas coisas ou como algo separado disso, é comum que pessoas binárias (e até pessoas não-binárias que querem se mostrar "superiores" a isso) façam chacota, espalhem capturas de tela de pessoas explicando esses gêneros para ridicularizá-los e afins.

Quando acham muito bonito quando alguém descreve seu gênero com uma metáfora poética, mas ridicularizam ou rejeitam quem usa algum termo específico para resumir tal metáfora, isso é prejudicar a expressão de pessoas cujas identidades de gênero não são binárias.

Quando reduzem não-binaridade a uma questão de expressão de gênero, de não entender que ninguém é completamente um estereótipo de homem ou de mulher, ou a uma questão de "querer ser diferente" ou de "estar na moda", isso também é exorsexismo.

Quando a língua possui dois "gêneros gramaticais" e um deles é associado com homens e outro com mulheres, isso é exorsexismo estrutural. Quando as pessoas que concordam que deveria existir um "gênero gramatical neutro" dizem que só pode existir um, e que ele é tanto para pessoas não-binárias quanto para grupos com pessoas que usam conjuntos de linguagem diferentes quanto para quando não se sabe o conjunto de linguagem de alguém, isso é exorsexista; pessoas não-binárias precisam abrir mão de ter conjuntos de linguagem que as representem separadamente mesmo que não queiram usar algo neutro ou associado com gêneros binários, enquanto pessoas binárias podem ter os seus separados e normalizados.

Exorsexismo faz parte do cissexismo (opressão/discriminação contra pessoas que não são cis), mas existem questões que afetam pessoas não-binárias e que não afetam pessoas trans/ipso/ulter/etc. binárias, ou afetam mas em menor quantidade. (Caso você não tenha entendido vários dos termos deste parágrafo e queira entender, clique aqui.)

Mas e as pessoas trans binárias?


Algumas pessoas acham que se pessoas que não são binárias possuem um termo para sua opressão, isso é dizer que pessoas trans binárias sejam praticamente iguais a pessoas cis, no sentido de ter privilégio binário.

Pessoas trans (e outras pessoas cisdissidentes) binárias realmente não são atingidas diretamente por muitas das agressões e por muitos dos apagamentos que pessoas que não são binárias sofrem.

Porém, pessoas trans (e outras pessoas cisdissidentes) binárias também passam por um problema específico delas dentro do cissexismo, que é uma exigência exagerada para que se encaixem nas normas do seu gênero para provarem que são realmente dele.

Pessoas que se reinvindicam não-binárias são invalidadas; dizem que isso não existe, que ou você é mulher ou homem. Mas pessoas cisdissidentes que se reinvindicam como binárias também são questionadas; afinal, se são "homens de verdade" ou "mulheres de verdade", por que fazem isso, passam por aquilo ou possuem certos aspectos corporais? Se um homem ipso mostra aspectos corporais ou comportamentais considerados femininos numa sociedade eurocêntrica, é "meio mulher" ou "mulherzinha", mas se uma pessoa com as mesmas características se reinvindicar como mulher trans ou ulter "ainda é homem".

Dentro da não-binaridade, a maioria das identidades não possui papéis ou estereótipos de gênero fixos. Se alguém é mulher não-binárie, a obrigação de "ser mais mulher" pode não ter tanto peso, porque a pessoa não é exatamente uma mulher binária.

Existem até pessoas que são não-binárias porque não conseguem se ver como pessoas trans binárias pela questão de serem trans. Isso não é necessariamente insegurança ou cissexismo internalizado; é apenas a experiência dessas pessoas de alienação da ideia de serem de um gênero binário com o qual não foram designadas.

Também é possível falar de exortransmisoginia; assim como transmisoginia é misoginia e transmisia experienciadas por mulheres trans e pessoas de identidades/experiências similares, exortransmisoginia é o exorsexismo e a transmisoginia experienciades por mulheres trans não-bináries e pessoas de identidades/experiências similares.

Mas e mulheres e discussões sobre opressão de gênero?


Acredito que pessoas que não sejam binárias sejam marginalizadas tanto pelas suas identidades não serem aceitas na cultura dominante, quanto por terem sido designadas gêneros diferentes dentro dessa cultura dominante.

Ou seja, sim, pessoas que não são somente, completamente e sempre homens também sofrem com o que se chama de sexismo, ainda que não sejam somente, completamente e sempre mulheres.

Não acho que o termo misoginia seja obsoleto ou problemático, visto que existe discriminação e opressão direcionada a mulheres. Mas, quando se fala de homens tendo privilégio, acho errado agir como se mulheres fossem as únicas pessoas afetadas. Algumas coisas poderiam ser chamadas de patriarcais ou parte do privilégio de homens, ao invés de apenas misóginas ou parte da opressão contra mulheres.

(Também não gosto muito de usar termos como "privilégio masculino" ou "opressão feminina", visto que pessoas de qualquer identidade de gênero podem ser masculinas ou femininas, mas consigo entender que dentro do contexto tal termo se refere aos privilégios de homens e opressões contra mulheres.)

Também existe exormisoginia, ou seja, a misoginia e o exorsexismo que afetam mulheres não-bináries e outras pessoas de identidades ou experiências similares. Um exemplo disso é colocar mulheres não-bináries como "meninas confusas" que só "acham que são não-binárias" (exorsexismo) porque "são fúteis e querem entrar na modinha"/"não possuem capacidade de entender o que é gênero" (misoginia).

De onde veio este termo? Tem algum outro termo?


O termo exorsexismo veio da operação XOR em programação, que retorna "verdadeiro" se um valor é uma coisa e não outra entre dois valores, e "falso" se preencher os dois valores, nenhum valor ou um valor diferente dos especificados. Ele foi mudado de exorismo porque poderia confundir pessoas disléxicas por parecer demais com exorcismo.

Foi cunhado em 2016 por Vergess no Tumblr. Postagens originais podem ser vistas aqui e aqui. Exorsexismo foi a palavra que acabou "pegando" mais, entre estas.

Uma alternativa que também não recebeu críticas, que acredito não ter sido usada por ninguém, é polarsexismo, que também remete à ideia de dois pontos diferentes acima do resto.

Algumas pessoas não gostam de usar exorsexismo porque o significado da palavra não é intuitivo, mas a maioria das pessoas não sabe da maioria das composições de qualquer palavra; é só uma questão de ensinar. A maioria também não sabe de onde vem perissexo, cisgênero, ou ornitorrinco, e não é uma exigência saber algo de programação para entender o que é exorsexismo assim como não é exigência saber grego ou latim para entender essas palavras.

Muitas pessoas gostam de usar binarismo. Embora a situação tenha mudado - hoje em dia, resultados de buscas por binarismo indicam binarismo de gênero e não coisas sobre computadores - ainda acho importante ter um termo próprio para indicar esta opressão que atinge identidades de gênero diferentes de 100% homem e de 100% mulher.

Afinal, o termo, inclusive como "binarismo de gênero", também é usado para falar de binarismo sexual (diadismo, opressão/discriminação contra pessoas intersexo), etnobinarismo (a intersecção entre exorsexismo e racismo, mais especificamente em contextos culturais com gêneros diferentes de homem e de mulher que sofreram e sofrem grande repressão por conta do colonialismo), binarismo de gêneros gramaticais (ou seja, línguas divididas entre equivalentes de a/ela/a e o/ele/o sem deixar forma neutra ou possibilidades abertas), binarismo de papéis de gênero (que pode ser algo criticando estereótipos de gênero ou falando de pessoas - inclusive binárias - que não seguem normas de gênero), e afins. Para não confundir ninguém, acho que um termo à parte é importante.

Algumas pessoas usam enebemisia ou similar, sendo "enebê" uma pronúncia de NB, sigla que significa não-binárie. Porém, ainda que seja comum ver "enby" na língua inglesa, eu praticamente nunca vejo gente usando enebê ou similar, fazendo com que o termo precise de explicação, assim como exorsexismo. Exorsexismo também é um termo mais inclusivo, por haverem pessoas fora do binário homem/mulher que não se identificam como não-binárias.

Tipos mais específicos de exorsexismo


Observação: Exorsexismo por si só é um assunto pouco falado, então essas coisas possuem menos material ainda...

Monogenerismo: A ideia de que ter um gênero (e um gênero apenas) é a norma. A ideia de que alguém "não pode só não ter gênero" é monogenerista; a falta de medidas que possibilitam ou facilitam alguém de indicar que é de gêneros diferentes (e que pode usar nomes/conjuntos de linguagem diferentes) em períodos diferentes é monogenerista.

Reducionismo de gênero: A ideia de que mesmo quem não é homem ou mulher binárie pode ser categorizade como "basicamente homem" ou "basicamente mulher". Geralmente isso é feito para que certas pessoas possam ser colocadas como "homens opressores" por terem expressão de gênero masculina e/ou por terem sido designadas homens ao nascimento, ou para invalidar orientações caracterizadas por atração de ou por pessoas não-binárias, afinal se todo mundo é "meio homem" ou "meio mulher", todo mundo que tem atração deveria poder se dizer hétero, gay, lésbica ou bi (no sentido de terem atração pelas "duas categorias").

Desgenerização: Isso é algo que não afeta só pessoas não-binárias, e sim diversos grupos marginalizados (incluindo pessoas cisdissidentes binárias). Mas existe desgenerização contra pessoas que não são binárias, que é quando reduzem qualquer uma dessas identidades de gênero a "não ter gênero" ou a "não definir gênero" apenas porque não são identidades binárias.

Também existem discussões sobre a possibilidade de surgimento de um termo relacionado à discriminação contra pessoas xenogênero.

De qualquer forma, é sempre possível falar separadamente de discriminação contra pessoas sem gênero, contra pessoas poligênero, contra pessoas gênero-fluido, contra pessoas neurogênero, contra a ideia de que identidades de gênero podem ser algo além de masculinas, femininas ou neutras, etc.

E, como já mencionado, é possível falar de intersecções entre exorsexismo e alguma outra coisa. Exormisoginia e etnobinarismo são termos já utilizados, mas também dá para formar e usar termos como exorcapacitismo, exordiadismo e afins.

Considerações finais


Exorsexismo é um negócio sério. Não temos estatísticas próprias por conta de nossas identidades não serem levadas a sério. Não temos grande visibilidade dentro de comunidades LGBTQIAPN+ (ou mesmo trans), e assim mesmo espaços que deveriam nos acolher nos excluem e agridem.

Mesmo dentro de comunidades não-binárias (que são poucas e pequenas), não é incomum ver pessoas que querem se assimilar às normas, ou que não são bem informadas quanto a questões de justiça social, então pessoas não-binárias racializadas, neurodivergentes, intersexo, que não querem ter que escolher entre linguagem "masculina, feminina ou neutra", que não querem ter que lidar com ódio à neolinguagem, que não querem ver ódio contra identidades não-binárias mais específicas, e afins, acabam não tendo espaços que sejam seguros para si.

Por favor, que mais pessoas ajudem a normalizar a terminologia que comunidades não-binárias inclusivas usam. Que mais pessoas incluam pessoas não-binárias quando se referem a grupos de pessoas que podem conter tais pessoas, e que mais pessoas evitem maldenominar pessoas que podem ser não-binárias e não usar um conjunto de linguagem "óbvio".

Leituras para quem quiser aprender mais



The struggle itself towards the heights is enough to fill a man's heart. One must imagine Sisyphus happy.


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in reply to Tolookah

Electricity and magnetism got me to change my major from physics to mechanical engineering. I thought I loved physics. Turns out when it's a bunch of pixie bullshit that I can't feel or see, I don't like it so much. Vibrations is the E&M of Newtonian mechanics though. Had to take that one twice.

SlowTV Stitchery Episode 14


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We have reached Episode 14 of SlowTVStitchery, in which we have thoughts about design, and consider music and musicians.

Why Do People Hate 'Liberal Elites'? - David Graeber


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"To understand the realities of power whether in modern or ancient societies is acknowledge this gap between what elites claim they can do and what they are actually able to do.

As the sociologist Phillip Abrams pointed out long ago failure to make this distinction has led social scientists up countless blind allies because the state is not the reality which stands behind the mask of political practice. It is itself the mask which prevents our seeing political practice as it is."

David Graeber (The Dawn of Everything: A New History of Humanity)

Peertube LiveChat Plugin

This entry was edited (Monday, June 22, 2026, 4:43 PM)

場所と考えること


住んでいる所は別に田舎ではないのだけど最寄り駅周辺にはあまり何も無い、隣駅には色々ある、数駅進めばもう立派な都会だ。ここではコンビニも23:00 - 25:00の間に閉まるぐらい。外食できる場所も数えるほど。

家にいる間、家を離れて移動したばかりの間は、住環境の改善に関心が向いて、調べたり、AIと話したり、考えたりする。その後映画チケットを買って、待ち時間にカフェで小説を読んでいると、もっと抽象的なことに関心が向く、仕事や生き方など。或いは世界について。

いる場所によって考えることが変わる。怖いことではないし、特にいいこととも思わない、そういうものなんだなと思う。ただ、何らかの強制によってある場所にずっと居続けることになるとすると、それは怖いなと思う。

地元に閉じ籠もるのでなく、外に出ることも必要。両方いい。

因みに、

映画館は、イメージフォーラム

映画は、『21世紀のジャン゠リュック・ゴダール』、

カフェは、TINTO COFFEE

小説は、『鉄の胡蝶は』。

Advice for a collaborative text editor


Hello, I'm looking for a simple collaborative text editor. We do have an office 365 subscription and it works, but the 10 minutes loading time every time you open a document are taking a strain on my mental sanity.

We don't need nothing too fancy, markdown support would be a plus, especially with embedded latex formulas and possibly bibfile references.

The things I really need are a simple ways to add comments to text and a changes view to immediately see what a collaborator modified.

I've been taking a look at hackmd, it kind of fulfills the role, but the pricing is a bit high for the features available.

Could be self hosted too, but to be fair I'd rather not have to maintain it.

Why Does a Suspected Anti-Muslim Attack Barely Make the News?


It is frankly an appalling and frightening scene. Video footage has been circulating on social media of a bare-chested man with a blade on the day he allegedly attacked five people in Edinburgh. “I’m protecting the country,” he is heard shouting in the video.

It reportedly began near a mosque on Friday evening, and the video footage shows him appearing to carry a weapon and battering the door of a pizzeria. The man has been arrested and charged, and counter-terrorism officers have joined Police Scotland’s investigation. The Prime Minister, Keir Starmer, posted on X that it “appears to be motivated by anti-Muslim hatred” but that is pretty much all he has done. In total, 53 words have gone up on X from the Prime Minister, and the story, which has left the British Muslim community in shock, is barely being covered by the media in any prominent way.

It is a stark difference to what we saw less than two months ago, on April 29, when two Jewish men were stabbed in broad daylight in Golders Green, London. An emergency Cobra meeting was convened that same day and the terror threat level was upgraded. The Prime Minister and King Charles visited the scene. The attack ran across nearly every front page in the country.

By the time Sir Keir delivered his statement from Downing Street, it was not just a tweet but an address: a list of promises — visible police presence, investment in Jewish security to the tune of £25 million — built on a passage of real moral force.

There has been no Cobra meeting. There has been a short post on X from the Prime Minister. As of this weekend, not a single newspaper outside Scotland has carried the Edinburgh attacks on its front page. The government machinery that can move within a few hours has remained largely stationary.

reshared this

pastel creatures #pastelsdrawing [Traditional Art Speedpaint]


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first released: 12.04.2025

working time: ~57min
music: Haunt the House Terrortown OST (gog.com/de/game/haunt_the_hous…)

This entry was edited (Saturday, March 21, 2026, 11:39 PM)

mac or linux


İ am using pop os with my rtx4060 laptop. İ consider to switch an office laptop. İ will use it for editing and coding. İ love linux and open source but have to admit that mac is something different to me. İt is perfect. İ hate it is a product of apple but they did it really well. But also i want to use linux. But i cannot take 12 hours battery with linux laptops. İ could have buy tuxedo infinit book 14 pro but they dont ship to my country. What should i do?

I am building a file transfer app purpose built for Linux and Android


cross-posted from: lemdro.id/post/41988045

This is a personal passion project of mine, it is still in its early infancy (many core features are still missing) and the development is slow but deliberate.

why should I care?


if you care about speed and deep integration with the OS this project might be of interest to you.

why?


Wireless file sharing between my devices is still unnecessarily slow, half-baked, and unintuitive.
Direct-Share is my attempt to build a file transfer tool that makes local file transfer more seamless than:

  • Android ↔ Android (Nearby Share / Quick Share)
  • Apple AirDrop
  • LocalSend
  • Blip

…but for Linux desktops and Android phones, using Wi-Fi Direct.

what?


  • Python, GTK4/Libadwaita on Linux
  • Kotlin, jetpack compose on Android

if you want to stay up to date with the project or want to know or read more, you can take a look at the GitHub repo

Portable Formats and Inmutable Distros


I feel like inmutable distros are in a quite good state nowadays, and while solutions like bootc and sysexts are not “mainstream” yet, it’s getting there

when it comes to getting non Flatpak packages, things get interesting, there are a lot of options, really

AppImages, statically linked binaries, tarballs, OCI containers, distrobox/toolbx, Homebrew, VMs, Nix
even experimental formats like RunImages, AppBundles and FlatImages

if you need some non-system level package, you’ll have a way to use it
yet, still it seems sort of chaotic
“which one should I choose? how will I be able to easily manage them?”

GPM, dbin, Soar, AM… and the list goes on

and it’s okay, the so called cloud native approach is still evolving, so this fragmentation is expected
so it’s nice to share opinions about this while we’re living this interesting phase
any thoughts?

in reply to overcast

did you know about pkgforge repo? it’s an interesting project
however, even package managers for portable formats are sort of fragmented

I don’t like depending on GitHub so I don’t consider GPM, Soar and AM seem too similar… and I still have to understand what makes dbin stand out

What is the one app you would like made for the COSMIC Desktop?


I'm currently using the COSMIC DE and been loving it so far. I have some experience in rust, so I want to try and make an app for cosmic (no guarantees).

Any recommendations?

Does the SecureBoot key expiration matter if SecureBoot is disabled?


I have completely forgotten about the SecureBoot key expiration that is coming on Wednesday. I don't have SecureBoot enabled on any of my devices, but I wonder if it could cause issues down the line if I don't ensure that the keys have been updated?

PorteuX 2.7 claims it is faster than CachyOS and may be the fastest Linux distro yet


PorteuX 2.7 has been released with Linux kernel 7.1.1, GNOME 50.2, KDE Plasma 6.7.0, a switch to the new NTFS-Plus driver, and a number of performance-focused optimizations. The developer is also claiming the distro now outperforms CachyOS in Geekbench 6. Do you think benchmark results like these are meaningful when comparing Linux distributions?

Why choice of Linux distribution matters


I see often people say that the distro you are using doesn't matter. One can turn any distro into another. And I do not agree with that. If that was true, why do we even have so many distributions? I always said, if distros don't matter...

  • ... why distro hop?
  • ... why don't you use Ubuntu then?
  • ... why don't you recommend Archlinux to a newcomer?
  • ... why don't you use Kali Linux as a server?
  • ... why don't you use Batocera or SteamOS as your daily driver?
  • ... why do you trust a community distro more than a corporate distro? (or vice versa)

I don't think that distros only matter to newcomers. Maybe it matters for experienced users even more.